Ela é geralmente definida como a região da superfície, em ambos os sexos, entre a sínfise púbica e o cóccix. O períneo é formado por uma camada superficial de músculos fibrosos e alongados. A camada profunda, de músculos largos e espessos, denominamos "diafragma pélvico". Esses músculos são auxiliados por fáscias e ligamentos, que funcionam como elásticos biológicos. Em conjunto, são conhecidos como Musculatura do Assoalho Pélvico (MAP).
A Pelve é o suporte ósseo do períneo, e forma-se por quatro ossos: Os dois ìlios, o sacro e o cóccix.
Períneo Feminino:
Períneo Masculino
Durante a gestação, a musculatura do assoalho pélvico sofre um prolongado teste de resistência. Sustentando, além dos órgãos pélvicos, o bebê, o novo útero e todos os demais anexos embrionários (placenta, cordão umbilical, etc), o aumento de peso varia normalmente de 10 a quase 20 kg.
Neste período, uma MAP forte oferece maior apoio ao útero, reduzindo a pressão sobre a bexiga e diminuindo as dores lombares, tão comuns às gestantes, especialmente nos últimos meses.
O parto é o maior teste de força, resistência e elasticidade para todo o assoalho pélvico, especialmente para a musculatura. Uma MAP forte permite uma recuperação melhor e muito mais rápida.
Alguns Exercícios para Fortalecimento:
Não há muita diferença de exercícios da MAP para homens e mulheres, uma vez que a musculatura é praticamente a mesma para ambos.
Mas, como toda musculatura, deve ser exercitada. Existem vários exercícios, um para cada objetivo. Podem ser de contração simples (exercícios de contrair a MAP, sustentar a contração e soltar - exercícios de Kegel), com carga para fortalecimento, (com cones vaginais) como na musculação com pesos, para melhoria da sensibilidade vaginal com ben wa, as bolinhas tailandesas, para melhoria de coordenação motora, (também com ben wa), e exercícios globais para a melhoria do desempenho sexual, como o pompoarismo.
Exercícios de Kegel
O método, inventado pelo médico alemão Arnoldo Kegel, é sugerido até hoje para prevenir a incontinência urinária e a flacidez pós-parto, e também para que a mulher tenha mais prazer sexual. Os exercícios - que consistem em contrair os dois músculos principais que atravessam a região pélvica - ajudam a aumentar a percepção sobre a região vaginal, aumentando o controle dos movimentos dessa área do corpo.
Para começar a fazer os exercícios de Kegel, é importante descobrir quais são os músculos certos a serem exercitados. Para identificar esses músculos, há três métodos: 1- Tente interromper o fluxo de urina quando estiver sentada no vaso sanitário. Se o conseguir fazer, significa que está utilizando os músculos corretos. 2- Imagine que você está tentando impedir a saída de gases. Contraia os músculos que utilizaria nessa situação. Se você sentir uma sensação de "puxar", significa que esses são os músculos corretos para os exercícios de Kegel. 3- Deitada, coloque o dedo dentro da vagina. Contraia-se como se estivesse tentando interromper a saída de urina. Se sentir o seu dedo apertado, significa que está contraindo o músculo pélvico correto.
Para fazer os exercícios de Kegel na gravidez, a gestante deve:
- Esvaziar a bexiga;
- Identificar os músculos pélvicos, interrompendo o fluxo de urina quando estiver urinando;
- Contrair os músculos pélvicos, como mostra a imagem, durante 10 segundos;
- Relaxar durante 15 segundos.
A grávida deve repetir os exercícios de Kegel 10 vezes, cerca de 3 vezes por dia, todos os dias, durante toda a gestação.
Os exercícios de Kegel para gestantes podem ser realizados em qualquer posição, seja sentada, deitada ou de pé. No entanto, é mais fácil iniciar os exercícios estando deitada com as pernas dobradas.
Para os homens, os exercícios de Kegel servem para tratar a incontinência urinária, melhorar o desempenho durante o contato íntimo, sendo particularmente útil no combate à ejaculação precoce e no combate a disfunção erétil, melhorando a saúde da próstata, e aumentando a auto-estima, promovendo o bem-estar.
Para fazê-los, o homem deve urinar e enquanto isso:
Para fazê-los, o homem deve urinar e enquanto isso:
- Parar ou diminuir o jato da urina no momento da micção para poder identificar o músculo que deve ser trabalhado.
- Tentar contrair o músculo que foi identificado no momento em que parou o jato de urina.
A contração deve ser realizada com força, mas inicialmente é normal que dure cerca de 1 segundo mas com a prática, a contração poderá ser mantida por mais tempo.
Devem ser realizado pelo menos 3 a 8 vezes ao dia, todos os dias, e o número de contrações necessárias são de 300 no total. Depois de aprender a contrair o músculo corretamente, pode-se fazer as contrações em qualquer lugar, estando sentado, deitado ou de pé. No início é mais fácil começar os exercícios de kegel deitado de lado.
Lembre- se de procurar um profissional habilitado para lhe acompanhar!
È uma incisão efetuada na região do períneo que, em tese, ampliaria o canal de parto e preveniria um rasgamento irregular durante a passagem do bebê, geralmente realizada com anestesia local Infelizmente ainda é prática rotineiramente utilizada na obstetrícia brasileira.
A finalidade clássica da episiotomia seria reduzir a probabilidade de lacerações perineais graves, enquanto a associação com o fórceps minimizaria o risco de trauma fetal, prevenindo hipoxia (diminuição do aporte de oxigênio ou baixa concentração de oxigênio nos tecidos). Esse pressuposto passou a ser aceito como verdade incontestável e transcrito em diversos tratados de Obstetrícia em todo o mundo, embora não existissem evidências científicas confiáveis de sua efetividade e segurança. A prática da episiotomia foi ampliada nas décadas subsequentes, coincidindo com o número progressivamente maior de partos hospitalares a partir da década de 1940, nos Estados Unidos. Essa mudança no local de parto gerou uma série de intervenções que não se baseavam em evidências científicas. Com a hospitalização do parto, o nascimento passou a ser considerado um processo patológico, requerendo necessariamente a realização de intervenções obstétricas para prevenir ou reduzir a incidência de complicações. A prática da episiotomia aumentou consideravelmente a partir da década de 1950 porque muitos médicos acreditavam que sua realização reduzia significativamente o período expulsivo, o que lhes permitia atender rapidamente a grande demanda de partos hospitalares, às vezes simultâneos.
O uso desse procedimento se tornou bem mais frequente com a adoção do parto em posição horizontal e da prática sistemática do fórceps de alívio, requerendo "espaço extra" para a manipulação vaginal. O uso de fórceps também se tornou progressivamente mais frequente nos partos hospitalares, em função do uso de técnicas anestésicas que prejudicavam os esforços expulsivos maternos. Popularizou-se também a posição de talha litotômica (deitada, de pernas pra cima), apesar de todos os seus inconvenientes, já conhecidos à época, porque garantia melhor acesso do obstetra ao canal de parto.
O número de episiotomias só passou a se reduzir a partir da década de 70, quando os movimentos de mulheres e as campanhas pró-parto ativo passaram a questionar o procedimento. Concomitantemente, foram publicados os primeiros estudos clínicos bem conduzidos sobre o tema, em que se questionava o uso rotineiro de episiotomia. Destaca-se a importante revisão de Thacker e Banta, publicada em 1983, em que se demonstrou que não havia evidências de sua eficácia e havia evidências consideráveis de riscos associados ao procedimento: dor, edema, infecção, hematoma e dispareunia (relação sexual dolorosa).
Massagem perineal:
É um tipo específico e delicado de massagem realizada na região genital feminina ou, mais especificamente, na região do períneo. No geral a manobra trabalha toda a pele e adjacências da entrada do canal vaginal mas tem enfoque na porção muscular (MAP), localizada há cerca de 2 centímetros para dentro da vagina e envolvendo o canal quase como um nó.
A função principal da massagem perineal é permitir um relaxamento progressivo da MAP, especificamente na entrada do canal vaginal, além dos tecidos locais adjacentes (pele, camada subcutênea, pequenos músculos circunvaginais superficiais, etc).
É importante na preparação para o parto, quando o aumento na elasticidade da abertura vaginal é importante para a minimização de lesões que por ventura possam ocorrer. Por promover este alongamento da entrada do canal vaginal, a realização de massagem perineal no pré-natal (desde que realizada de maneira correta e na frequência necessária) tende a reduzir a necessidade de episiotomia (pequeno corte realizado pelo obstetra na entrada do canal vaginal para facilitar a passagem do bebê).
A partir de lentos e delicados movimentos circulares, num primeiro momento ao redor da entrada do canal vaginal, a massagem tenta relaxar e alongar progressivamente ostecidos cutâneos e subcutâneos (pele, gordura, anexos e pequenos músculos superficiais).
Posteriormente os movimentos são concentrados na entrada da vagina há cerca de 1 centímetro para dentro, antes da linha da MAP (região muscular há cerca de 2 centímetros para dentro da vagina). O objetivo ainda é de alongar e relaxar o local.
Num terceiro momento o foco é a MAP, localizada há cerca de 2 a 3 centímetros para dentro do canal vaginal. Por se tratar de uma região de musculatura mais forte normalmente é necessário um pouco mais de pressão, respeitando-se a delicadeza da região. Aqui o objetivo principal é a mobilização e o alongamento da MAP.
Nesta altura a massagem perineal contribui de maneira decisiva para a conscientização e auto-percepção da mulher para com esta musculatura, fundamentais para o relaxamento consciente do local, necessários para a passagem do bebê. Veja mais detalhadamente como fazer em: www.youtube.com/watch?v=rd3t0jm9ez4 e em http://pt.wikihow.com/Fazer-uma-Massagem-Perineal
Epi-No: o que é?
O Epi-No consiste em um balão em silicone, conectado a um medidor de pressão através de um tubo em silicone, com bomba em elastômero termoplástico e válvula de liberação de ar. O balão pode ser danificado quando utilizado lubrificante em óleo. Este balão é introduzido na vagina e vai sendo inflado lentamente, proporcionando o alongamento de períneo e simulando a cabeça do bebê.
Ele promove o alongamento da musculatura de forma gradual, o que reduz as chances de laceração no parto, facilitando também a recuperação da musculatura e tecidos no pós-parto. Promove também a consciência corporal, simulando a expulsão do bebê, o que é outro excelente benefício do aparelho, pois esta experimentação da expulsão e melhora da consciência corporal dá mais segurança e controle para a mulher no momento do expulsivo.
Ele deve ser utilizado a partir de 34 semanas de gestação. O ideal é que seja utilizado todos os dias, para que se consiga um alongamento progressivo da musculatura.
Cerca de 15-30 minutos é o suficiente – ou 4-5 vezes ao dia por 3-5 minutos (“mini-sessões”). Procure um fisioterapeuta para lhe melhor orientar.
Referências:
*Figuras retiradas de http://www.lookfordiagnosis.com/ mesh_info.php term=Per% C3%ADne o&lang=3 e de http://pt.wikipedia.org/wiki/Episiotomia
*https://www.facebook.com/forcanoperineo?fref=ts
*http://perineo.net/conteudo/index.php
*http://relacoes.umcomo.com.br/articulo/exercicios-de-kegel-para-mulheres-10013.html
*http://www.tuasaude.com/exercicios-de-kegel-na-gravidez/
*http://www.tuasaude.com/exercicios-de-kegel-para-homens/
*http://vivendociencias.blogspot.com.br/2009/03/ossos-da-pelve-osteoporose.html
*http://perineo.net/conteudo/benwa.php
*http://perineo.net/conteudo/cones-vaginais.php
*http://perineo.net/conteudo/massagem-perineal.php#tipos
*http://perineo.net/conteudo/pompoarismo.php
*http://casamoara.com.br/o-parto-nao-e-o-vilao/
*http://espacoabertto.blogspot.com.br/p/epi-no.html
*http://perineo.net/conteudo/cones-vaginais.php
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*http://perineo.net/conteudo/pompoarismo.php
*http://casamoara.com.br/o-parto-nao-e-o-vilao/
*http://espacoabertto.blogspot.com.br/p/epi-no.html
Sugestão de leitura:
- " A pelve feminina e o parto:compreendendo a importância do movimento pélvico durante o trabalho de parto".
Autoras: Blandine Calais-Germain/Núria Vives Parés.
Editora: Manole.
- " O Períneo Feminino e o Parto: Elementos de anatomia e exercícios práticos".
Autora: Blandine Calais-Germain.
Editora: Manole.












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